II JOCUPA Piripiri 2025: Integração de Saberes no Quilombo Sussuarana e Marinheiro

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Evento promovido pelo GEPAR em Piripiri valoriza o patrimônio cultural e
arqueológico das comunidades quilombolas no Piauí

Entre os dias 09 9 a 11 de janeiro, o Grupo de Educação Patrimonial e Arqueologia
(GEPAR), vinculado à Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da Universidade Federal do
Piauí (PREXC/UFPI), realizou o II JOCUPA Piripiri. O evento ocorreu nas
comunidades quilombolas Sussuarana e Marinheiro, localizadas na cidade de
Piripiri, e contou com a coordenação da professora do curso de Arqueologia da
UFPI, Elaine Ignácio. Com oficinas, expedições e trocas culturais, o encontro
destacou a importância do patrimônio histórico e cultural das comunidades
anfitriãs.
As atividades tiveram seu início no quilombo Sussuarana, e no decorrer dos dias 09
e 10, os moradores locais participaram de oficinas práticas de cerâmica, lítico e
pintura rupestre. Essas oficinas foram ministradas por integrantes do GEPAR e
estudantes de Arqueologia da UFPI, que buscaram compartilhar o conhecimento
acadêmico com os participantes. Durante as atividades, também foi lançado o
projeto “Porta em Porta”, que tem como objetivo a troca de saberes entre os
membros das comunidades e o registro oral de histórias de formação das
localidades, narradas pelos próprios moradores e líderes.
Maria Eduarda, estudante do 8º período de Arqueologia e instrutora da oficina de
lítico, falou sobre a relevância de disseminar o conhecimento sobre os artefatos
históricos do Piauí. ”Aqui no estado é muito comum encontrarmos líticos,
cerâmicas e pinturas rupestres, mas essas informações geralmente ficam restritas
ao ambiente acadêmico. O evento é uma oportunidade de levar esse conhecimento
para as comunidades e promover o entendimento sobre a importância do
patrimônio cultural que nos cerca,” destaca Maria Eduarda.

Foto: Pablo Roggers, 2025.


No segundo dia, a equipe do GEPAR e os moradores participaram de uma expedição
para conhecer locais históricos do quilombo Sussuarana. O percurso incluiu visitas
a “Fazenda Residencial” que remota ao início do século XIX, uma casa de farinha
que já foi um importante centro de produção artesanal de farinha, e a um sítio
arqueológico com pinturas rupestres ainda não catalogadas, testemunhos visuais
da vida humana em tempos anteriores à intervenção colonial. A expedição também
passou pelo cemitério de escravos e pela igreja da comunidade, lugares que
guardam histórias fundamentais para a compreensão da trajetória dos quilombolas
locais.
A coordenadora do GEPAR, professora Elaine Ignácio, destacou a importância do
evento como um espaço de diálogo e valorização cultural, “A Arqueologia Pública,
área na qual trabalhamos, se propõe a democratizar o conhecimento e promover o
reconhecimento do patrimônio cultural como elemento essencial da identidade de
um grupo social. Este evento reforça o diálogo entre a universidade e as
comunidades locais, enriquecendo ambos os lados,” pontua a coordenadora.
No último dia do evento (11), foi a vez do quilombo Marinheiro receber as
atividades. Pela manhã, os moradores participaram novamente das oficinas de
cerâmica, lítico e pintura rupestre, enquanto a tarde foi dedicada a uma aula prática
da técnica de construção da casa de taipa. Seu Antônio Alves, morador da
comunidade, demonstrou o processo da construção, utilizando barro umedecido e
tijolos. Após a explicação, os universitários presentes replicaram a teoria na prática
e contribuíram na construção uma pequena casa de taipa de acordo com os
conhecimentos tradicionais do quilombo.
Ao final das atividades, os moradores realizaram uma apresentação da tradicional
dança do Boi Marinheiro. A performance envolvendo máscaras confeccionadas em
couro bovino e trajes feitos de palha, enquanto a música conduzida por dona Maria
do Rosário e seu Antônio Alves, cujas as vozes ecoam em repentes e cantorias
improvisadas, acompanhadas pelas palmas da plateia presente para lembrar da
dança como uma expressão cultural que tem sido passada de geração em geração,
preservando a identidade e a memória da comunidade.

Foto: Hudna Sousa, 2025.


Seu Antônio Alves, um dos líderes do quilombo Marinheiro, falou com entusiasmo
sobre a visita do GEPAR. “Gostei muito da contribuição do grupo aqui. Nós também
temos muito a oferecer, como com a construção da casinha, que foi um momento
de aprendizado. Espero que voltem mais vezes para nossas atividades,” finalizou
Antônio Alves.
O II JOCUPA Piripiri 2025 foi um evento de suma importância para a preservação e
valorização do patrimônio cultural e arqueológico como ferramenta para o
fortalecimento das comunidades quilombolas ao unir o saber acadêmico às
tradições locais, sendo responsável por promover um diálogo enriquecedor para os
moradores e destacar o papel central da memória coletiva na construção da
identidade cultural.