BURITI DOS LOPES-PI

A BATALHA DO JENIPAPO EM CORDEL
13 de março de 1823

Poeta Neném Calixto

batalho do jenipapo
A Batalha do Jenipapo | Artes Paz | Acervo Museu do Piauí

Bem antes do nosso País
Se tornar independente
Do julgo da Monarquia
Vindo doutro continente
O Piauí deu grito
Estava passando mal
Só tinha uma solução
Libertar-se de Portugal.
Parnaíba tinha pressa
Na área comercial
Escravidão era enorme
O charque era o potencial
O gado a Maior riqueza
Depois vinha o carnaubal
Escravos vivendo em desespero
Em todo estado em geral.
O povo estava assustado
Vivendo daquela maneira
Sem querer servir o exército
Português lá de Oeiras
Que convocava vilas e povoado
Imposto cobrado no Estado e na Capital
O Major Fidier Governador das armas
Espécie de um gigante general.

Por isso foi dado o grito
Patriotas parnaibanos se uniram
Gritaram a independência
Exemplo para todo Brasil
Civil e os militares
Os homens da cavalaria gritavam viva D. Pedro I
Lá na Praça da Matriz
Deram descarga de artilharia.
Dr. João de Deus e Silva
Capitão Antônio Saraiva
José Ferreira de Melo
Ângelo da Costa Rosal
Caldas, Ozório e Domingos
Tenente Joaquim de Brito
Com o povo Simplício Dias
Todos proclamaram o grito.
O intruso Major Fidier
De Oeiras ficou irado
Por ser o dono das armas
E Governador do Estado
Desceu em direção ao Delta
Pra executar sem temor
Chegando em Parnaíba
Os autonomistas não encontrou.

O monstruoso entrando em Parnaíba
Encontrou a Calmaria
E lá somente encontrou
O berço da nobre família
E confiscou os seus pertences
Com a maior covardia
Mas no final da batalha
Ele não teve alegria.
Na vila de Piracuruca
Reuniram os cearenses
Sobre a grande liderança
De um homem competente
Leonardo Castelo Branco
Proclama lá a independência
Foi lá em Piracuruca formada a grande
corrente.
Na vila de Campo Maior
Laurêncio de Araújo Barbosa
Montou uma fábrica de pólvora
Reuniu os valentes caboclos
Na vila da Parnaíba
O chumbo é que era grosso
Começaram a luta pela independência
E também o alvoroço.

Ainda em Campo Maior
Tinha um nobre comandante
Era Luís Rodrigues Chaves
Outra figura importante
Convoca os estados vizinhos
E não para um instante
Para desterrar o gigante.
Lavradores e pescadores
Vaqueiro e comerciantes
Foram ao campo de batalha
Em covarde nem se fala
Machado, foice e fação
Contra a milícia do dragão
Quando passavam por perto
Ficavam mortos no chão.
Foram cinco horas de luta
Entre balas de canhão
Para o Major Fidier
Foi uma surpresa do cão
Ele fracassou na batalha
Perdeu toda a munição
E o tesouro que saqueou em Parnaíba
Os soldados do Capitão Nereu tomaram com toda razão
E a cadeia estava lhe esperando em Caxias do Maranhão.

Formou-se a tocaia no morro das tabocas
Hoje o centro de Caxias
Lá circularam o Major Fidier
Que guerriar não podia
Começa a negociação
Com a corte de justiça que havia
O demônio Major Fidier
Escapar de lá não podia.
Depois de três dias encarcerado
Foi levado para Bahia
E de lá pra Portugal
Sem nenhuma cortesia
O Monarca de Portugal
Deu sua aposentadoria
Dos homens valentes do Piauí
Ele morreu mais não esquecia.
Mais ou menos foi assim
Aquela batalha infernal
A maior luta travada
Pra liberdade nacional
Governador Alberto Tavares Silva
Mandou construir um memorial
Hoje reconhecido em todo Brasil
A maior batalha de luta nacional.

E foi assim a Batalha
Chamada de Jenipapo
Portugueses com brasileiros
Combatentes piauienses
Do Ceará e Pernambuco
Do Maranhã veio ligeiro
Gritaram a independência
Em todo território brasileiro.
Francisco Carvalho Nunes – Poeta Neném Calixto*

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*Neném Calixto é simples, honesto e poeta do imaginário popular. Profundo
conhecedor da história local, é um pesquisador incansável. Exímio escritor de
lendas tem na literatura de cordel um meio fantástico para ambientar todo o
seu cabedal de conhecimentos… alegre, adora recitar suas poesias.
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Histórico

Aqui você encontra também relatos do nosso histórico de ações e projetos realizados em 2018.

Acontecimentos em Buriti dos Lopes…

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O GEPAR- Grupo de Pesquisa criado a partir da primeira capacitação do EPA em Educação Patrimonial de Buriti dos Lopes, no segundo semestre de 2017, com o intuito de que a sociedade conheça, valorize e preserve seu patrimônio, e vem atuando ativamente nas pesquisas da região norte do Piauí em duas frentes principais: estudo para futuras prospecções arqueológicas, que terá como resultado a criação de um catálogo e no levantamento do patrimônio histórico, tanto da cidade, como da zona rural, mais especificamente no Assentamento Rural Josué de Castro – Fazenda Tinguis, um dos locais onde aconteceu importante fato histórico “as balaiadas” 1 . Assim, o GEPAR busca desenvolver uma arqueologia comunitária 2 .

Na fazenda citada acima já efetuamos duas visitas, a primeira no dia 29 de abril de 2018 para reconhecimento do local, e outra, no dia 18 de junho de 2018 em caráter de pesquisa. Na última data mencionada, a equipe formada pelos integrantes e parceiros do GEPAR (arqueóloga coordenadora arqueóloga/ arquiteta Elaine Ignacio, arqueólogo Mauro Júnior Rodrigues de Sousa, pesquisador Marcio Erasmo Falcão, Rômulo Fonteneles, poeta/historiador Francisco Carvalho Nunes – poeta Neném Calixto), com a participação e acompanhamento de alguns integrantes da comunidade do Assentamento Rural Josué de Castro, Elenar Luciano Pereira Bilha – (coordenador do MST de Buriti
dos Lopes), Maria Aldenir de Paula Rocha (tesoureira da associação, secretária do conselho da escola, coordenadora e líder comunitária da igreja católica) e alunos da Unidade Escolar Pedro Mariano de Freitas, realizaram algumas atividades, tais como: entrevista com os moradores locais, dos mais recentes aos mais antigos, e prospecção arqueológica.

A pesquisa de campo faz parte do projeto de Educação Patrimonial para que Buriti dos Lopes possa conhecer e melhor divulgar seu patrimônio cultural, seja nas escolas ou junto à comunidade. Os objetivos desta pesquisa em andamento são entender os costumes e lendas através de relatos da história oral; compreender a história local através da pesquisas bibliográficas e materiais e procurar indícios que possam fundamentar uma portaria de escavação arqueológica histórica nos locais indicados pelos moradores mais antigos, onde possam ter sido as primeiras edificações da
comunidade. Tornando-se assim possível provar materialmente a ocorrência do episódio das balaiadas, citado no livro História do Piauí de Kenerd Kruel 3 , assim como de outros eventos, para posteriormente reconstruir a paisagem cultural através do tempo.
Um ponto importante de toda a pesquisa é a constante interação com a comunidade local, através da socialização. Em nossa última visita tivemos, por exemplo, alguns momentos de ações patrimoniais, tais como: aula em campo sobre artefatos arqueológicos, vivências com antigas brincadeiras, além da confraternização em um almoço com a comunidade acompanhado da boa música popular brasileira
tocada e cantada por Marcos Paulo Rocha, um artesão local.

Além das ações da pesquisa conseguimos também, junto à Secretaria de Educação Municipal, integrar a disciplina de Educação Patrimonial na sua base curricular (esta integração está sendo discutido agora no segundo semestre de 2018). Sabemos que a base nacional orienta a base estadual, e por fim, esta orienta a municipal. O município, por sua vez, adota o que o estado toma como disciplina obrigatória, mas também tem a opção de incluir disciplinas diversificadas. Com a participação do secretário de cultura nos eventos do EPA, o mesmo observou o quanto seria imprescindível a inclusão da disciplina de Educação Patrimonial para o município, devido a importância da preservação da cultura material e imaterial e do fortalecimento das identidades
regionais no estado. Sendo assim, a partir da nova base curricular de Buriti dos Lopes, a disciplina Educação Patrimonial passa a ser uma disciplina diversificada oferecida no município.

Os questionários que buscam levantar a abrangência do conhecimento sobre patrimônio cultural já foram reformulados em uma primeira fase de aplicação e serão utilizados para diagnóstico junto aos alunos e também para os professores, e assim, poder capacitá-los de uma maneira mais efetiva e sistemática.

A partir dos eventos executados no primeiro semestre de 2018 fomos convidados para realizar em agosto a Jornada de Educação Patrimonial na cidade de Itapipoca-CE, e em novembro, na cidade de Piripiri – PI, além de continuarmos com as pesquisas que já vem sendo executadas sistematicamente, como já foi dito anteriormente, desde 2012.

1 Balaiada é no nome pelo qual ficou conhecida a importante revolta que se deu no Maranhão do século XIX. É mais um capítulo das convulsões sociais e políticas que atingiram o Brasil no turbulento momento entre a independência do Brasil e a proclamação da República.
2 Arqueologia comunitária significa envolver a população local nas pesquisas arqueológicas e nas políticas de representação do patrimônio cultural (Marshall 2002: 211).
3 ¨No dia 31 de janeiro de 1839 a Balaiada tem início no Piauí. Neste ano, os rebeldes matam, na sua Fazenda Tinguis, em Buriti dos Lopes, Ângelo António Lopes, de 90 anos, quando trabalhava numa farinhada. Para coibir novos ataques, o Capitão Mariano Castelo Branco fica comandando uma força no município até final da revolta. Embora fatos como este tenham sido usados para justificar a repressão ao movimento, a verdade é que, a todo custo, os governantes tentavam mascarar a absurda concentração de terras nas mãos de poucos privilegiados, o Recrutamento compulsório e a dominação
absoluta de poucas pessoas sobre política da província¨ (SANTOS & KRUEL, 2009: 97).

As Cafezeiras

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O EPA/GEPAR acredita no reconhecimento destas mulheres e na importância da
construção da identidade enquanto prática cultural e preservação da memória da cidade. Como também, a relevância em buscar a ressignificação das práticas culturais e do espaço ocupado por elas. E que no futuro possamos, juntos com a comunidade, viabilizar a ressignificação de seu espaço e que as mesmas possam ser instrumento de desenvolvimento da cidade de Buriti dos Lopes.

O poeta Neném Calixto faz um relato emocionante através do cordel sobre a
realidade e a história destas guerreiras, aqui apenas algumas estrofes…..

A Praça estava tão bela
Os bancos bem esticados
Passeios com lajes de pedra
O coreto bem elevado
Jardim verde circulando
A luz d’água reluzente
E a Virgem Mãe dos Remédios
Ali com a fonte em volta.
Assim só passou dois anos
De modelo nobre ornamental
Uns se orgulhavam da Praça
Os pobres passavam mal
Surge na Praça as Cafezeiras
Trazendo um só fogareiro
Carvão, espetinho e fumaça
Querendo ganhar dinheiro.
No ano de 1987
É a chegada na Praça da Matriz
De fronte a residência de Dona Rita Neris
A Dona Cecília diz
Vou começar a minha venda
Não me importa se alguém diz
Que estou sujando a Praça
Não quero é ser infeliz.
(Neném Calixto, p. 2. 2017)
Lá o que dá mais dinheiro
São os homens da estrada
Chamados caminhoneiros
Por onde andam falam bem das Cafezeiras
Que comem duas três pratadas
Quando eles vão pagar
Deixa o troco pra Santa
Padroeira do Lugar.
E na Praça as Cafezeiras
Ficaram bem conhecidas
Porque o turismo é grande
De Teresina a Parnaíba
E compra tudo que tem

De sabor apreciado
Buchada e Sarapaté
Milho verde espiga assada.
(Neném Calixto, p. 4. 2017)
E na Praça as Cafezeiras
Ficaram bem conhecidas
Porque o turismo é grande
De Teresina a Parnaíba
E compra tudo que tem
De sabor apreciado
Buchada e Sarapaté
Milho verde espiga assada.
Paçoca com espetinho
A tapioca toma o espaço
Com o cheiro vai desejar
Comer Panelada e galinha caipira
Bolo cortado em pedaços
Comendo nunca esquece
O capote com arroz
O Vatapá é um sucesso.
(CALIXTO, p. 4, 2017)
Aqui é Buriti dos Lopes
Terra de manga rosa e pequi
Já teve um brejo jorrante
Com palmeira de buriti
Hoje não tem nada disto
Mas podemos construir
Depende da sociedade
E das cafezeiras daqui.
(CALIXTO, p. 6, 2017)

Cordel do Sítio Arquelógico As Branquinhas

05 sitio Branquinhas
Sítios arqueológicos com registro/arte rupestre de Buriti dos Lopes – PI

A arqueologia é a ciência

Que estuda vestígios da presença humana

Seja recente ou antigo
Querendo compreender
Compreender o contexto
No tempo e no espaço
Mestre de nobre conhecimento
Da matéria de alto relevo ou baixo

Por isso não esqueço a ciência
Que descobre o precioso encantado
Eu registro e fica registrado
Me orgulho da arqueologia
E enquadro nas minhas poesias
A primeira da história anotada
Se Homero não se preocupou com isso
Neste sítio o meu registro ficou citado.

Nós Temos aqui nas Branquinhas
Nas lousas de pedra definido
Dentro do Rio Pirangi
Que pode ser estudado
É o nosso primeiro almanaque
Feito por antepassados
Dentro da mitologia indígena
Com seus escritos sagrados.

Na beleza e na riqueza
Entre os parques existentes
No Baixo Delta Piauiense
Foi feito por ancestrais
Nunca antes valorizado

Vejamos as gravuras com gentileza
Cada painel e suas gravuras
Entre nossa Mãe Natureza.

Coroas, símbolos e escudos
Traçados de grandes expressão
Parece sábio e preocupado
Em deixar escrito para as gerações
Todas escavadas nas lousas de pedras
Gravados as nobres prescrições
Para mostras às nações futuras
Suas belas decorações.

Onde o Rio fez o arco
Num lugar bem apropriado
Escolhido para a decoração
Naquele tempo adequado
E a lousa ficou repleta
De tudo bem picotado
O mestre deles orientava
O que devia ser registrado.

Principalmente aquelas

Que mais lhe chamava atenção
O Barco, o Sol, as Estrelas
São painéis bem caprichados
Inspirados mar e no céu
A Mão, o Círculo, o Pé

Imitando em outros lugares do planeta
O rastro do Apóstolo São Tomé.

Óh que nação importante
Que pra nós deixou escrito
O que foi que aconteceu
Ou haverá de acontecer
Foi saudade ou sentimento
Ou simplesmente o prazer
Se estavam feliz ou triste
Tentam nos esclarecer.

Foi concentração da saudade
Ou prevendo qualquer reação
Será que andavam de passagem
Ou estavam morando de prontidão
De onde vinham e para onde foram
De barco ou de pé no chão
Se tinham paixão por alguém
Ou gravou a Deus por gratidão.

A equipe do EPA é formada
Com Mestre Mauro Júnior professor

Professor Marcio Falcão bem animado
Mas, o moto do Jordan encabojou
Quando os últimos chegaram lá na casa
Os primeiros já tinham merendado
Seu Raimundo cantando e puxando fóli
E o Calixto dançando só animado.

Por nós o estudo será feito
Pela nossa presente geração
Somos também assistidos
A equipe está no campo de ação
Com professores, mestres e alunos
Pesquisando as belas inscrições
A nossa chefe Elaine Ignácio
E o Mestre Mauro Júnior então.

Como Professor Marcio Falcão
Atuante no Buriti e na região
Que dentro de pouco tempo
Será feito as conclusões

Do sítio arqueológico de Seu Raimundo
Um tesouro dentro do Rio Pirangi escriturado
Para um estudo de grandeza científica
Revolucionando o presente feito no passado.

E em 10 de Fevereiro do mesmo ano
A equipe torna voltar para lá
Para o monumento das Branquinhas

Ao nobre estudo lá continuar
Parando e decifrando cada painel
Em cada lousa um novo talento
Pesquisa feito do nascente para o poente
Conforme está estendido o belo monumento.

Jordan, Wellisson e o Mundinho
Henrique, professor Marcio Falcão
E o Mestre Mauro Júnior
Foi uma satisfação

O poeta Neném Calixto presente

Em espírito e noção

À distância acompanhava os trabalhos
Formado pela aquela comissão.

E lá os escritos são verdadeiros
Como as pirâmides existentes no Egito
Para mostrar às futuras gerações
Como na lousa está lá escrito
Mesmo que as tábuas de Moisés
Traçadas no Monte Sinai
Tudo são preceitos e regras
Feitos pelos nossos ancestrais.

É bem melhor que seja dito

Que esta equipe são membros da ABACC
Academia Buritiense de Artes Ciência e Cultura

Presidente é o Professor Gildazio

Nosso mestre e secretário de cultura
Diretor da nossa Universidade Aberta
Escritor, professor, historiador de bravura.

Francisco Carvalho Nunes
10 de Fevereiro de 2018.

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Neném Calixto é simples, honesto e poeta do imaginário
popular. Profundo conhecedor da história local, é um
pesquisador incansável. Exímio escritor de lendas tem na
literatura de cordel um meio fantástico para ambientar todo
o seu cabedal de conhecimentos… alegre, adora recitar
suas poesias.

O Poeta Neném Calixto

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BIOGRAFIA NENÉM CALIXTO, escrita por Erasmo Márcio Falcão em 28 de setembro de 2017.

O “Guardião da Memória” de Buriti dos Lopes. Denominação dada a Neném Calixto pelo ex-secretário de cultura de Parnaíba, buritiense, Helder Souza, quando do lançamento do livro de poesias Buriti dos Lopes Porta Sagradas dos Laivos Heróis em Agosto de 2017.

O poeta Neném Calixto é um brasileiro simples, alegre com a vida que leva e com o que a vida lhe deu. É um grande entusiasta da literatura popular e da história local como também profundo conhecedor das artes e da cultura buritiense. É fonte viva de pesquisa sobre a história de Buriti dos Lopes.

Escreve, além de belas poesias, relatos de histórias ouvidas dos moradores mais antigos, cordel, lendas e causos, homenagens, discursos, compõe hinos, músicas populares e é um exímio leitor de documentos manuscritos.Desenvolve a anos, juntamente com o pesquisador e historiador Gildazio Silva uma pesquisa baseada em documentos antigos sobre vultos e relatos factuais no intuito de registrar a história da cidade de Buriti dos Lopes.

O poeta também é numismata e colecionador, tem guardado consigo inúmeras coleções de diferentes coisas como pedras, objetos antigos, obras de arte, jóias, relógios, fotografias e retratos, livros, documentos e toda uma diversidade de coisas que considera interessante.

Neném Calixto mantém uma vida social ativa e participativa na sociedade buritiense, foi sócio fundador e primeiro presidente da Associação de Desenvolvimento Comunitário dos Produtores da Lagoa do Buriti – ADECPROLAB, sócio da Colônia de Pescadores Z4 de Buriti dos Lopes, sócio membro do Conselho Fiscal do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Buriti dos Lopes, sócio fundador e membro do Conselho Administrativo da Cooperativa Agropecuária de Buriti dos Lopes, sócio fundador do Instituto de História, Artes e Letras de Buriti dos Lopes – IHAL, sócio fundador da Academia Buritiense de Artes, Ciências e Cultura Arnaldo Escórcio Athayde – ABACC, membro da Comissão Municipal da Defesa Civil, integrante da Comissão Municipal de Geografia e Estatística – CMGE de Buriti dos Lopes e Ministro de Comunhão da Igreja Católica da Paróquia de Nossa Senhora dos Remédios com três provisões assim como também participou de vários movimentos de luta de classes em nome dos direitos da sociedade.

Participou de inúmeros cursos e eventos destacando-se os seguintes:
Campanha Nacional de Escolas da Comunidade – SENEC Administração Estadual
do Piauí; Curso de Catequese; Oficina Pedagógica do Projeto Educar para Libertar;
atividades e oficinas do Projeto Rondon Operação Velho Monge; Semana Bíblica da
Paróquia de Nossa Senhora dos Remédios; Introdução à Informática, Digitação e
Windows XP; I Encontro de Talentos de Buriti dos Lopes; 7ª Corrida Rústica de
1994; Curso Líder Cidadão SEBRAE-PI; Curso Liderar SEBRAE-PI; atividades
oferecidas pela Universidade Federal de São Carlos; curso de Panificação do SINE-
PI; trabalho intitulado Teoria do Verso no I Grito Cultural – Possibilidades de
Conexões: um brado às manifestações culturais de Buriti dos Lopes realizado pela
ABACC. Recentemente participou do Curso de Capacitação em Educação
Patrimonial EPA – Buriti dos Lopes, Cultura e Patrimônio (1ª Etapa) realizado pela
Professora da Universidade Federal Drª Elaine Ingnácio, arqueóloga, arquiteta edesigner. Faz parte do Grupo de Prospecção do Norte do Piauí, equipe deesquisadores orientados pela Drª Elaine Ingnácio com o objetivo de identificar e registrar os Sítios Arqueológicos de Arte Rupestre da região Norte do Estado do Piauí. Atualmente é Orientador Patrimonial da Secretaria Municipal de Cultura de Buriti dos Lopes.

Detentor de uma memória enciclopédica, lembra-se de rostos e cenas passadas com nitidez e exatidão, sabe na ponta da língua de nomes de vultos, famosos ou anônimos, datas, lugares, acontecimentos, costumes e crenças. Carrega consigo um cabedal de conhecimentos a cerca do Patrimônio Cultural Material e Imaterial de Buriti dos Lopes e de sua terra natal. Filho de Pedro Calixto Nunes e Nair Doriano de Carvalho Nunes, nasceu 10 de Maio de 1952 em Curralinho dos Nunes, município de Magalhães de Almeida, Estado do Maranhão.

Morou em Parnaíba-PI até os oito anos de idade onde foi alfabetizado e teve seu
primeiro contato com os livros. Chegou na sua tão querida cidade de Buriti dos
Lopes aos 17 anos. Morando a quase 50 anos na sua Buriti dos Balaios, do Brejo,
do Riacho Buriti, dos verdes buritizais e da grande lagoa. Mora na Isidoro Machado
no centro da cidade onde pretende um dia fundar a Museu-Casa Poeta Neném
Calixto. Casado com Dona Nicinha, costureira e modista hábil e talentosa, a quem
chama sempre de “Minha Santa” com amor e carinho expressos no tom de sua voz
grave e ritmada. Tiveram cinco precisos filhos todos, como o mesmo costuma dizer
sempre, “De peso e medida”. Escreve com saudosismo e adoração a história de
Curralinho dos Nunes e Buriti dos Lopes.

Seus cordéis e poesias valem de registro e resgate da história e da cultura oral da cidade sempre mantendo a humildade de um homem comum. Regularmente recebe em sua casa, excursões de alunos e pesquisadores de universidades para consultar-lhe sobre variados assuntos referentes à história e cultura local e regional, sendo fonte de informação e contribuição para muitos trabalhos acadêmicos e escolares. Diz: “Não tive muito estudo nas escolas, mas, sou dono de minhas próprias letras”. Um destemido cancioneiro que encontra na arte de escrever versos uma simples fórmula de maravilhar-se com o imaginário popular.

Tem as seguintes obras:

Passagem do Papa João Paulo II pelo Piauí – 1980;
História da Lagoa Grande do Buriti – 1986;
Homenagem aos 500 anos do Brasil – 2000;
Coletânea de Poetas Buritiense Contemporâneos – 2000;
Homenagem à Francisco Lopes pelas Pedras de Cantaria – 2000;
Poesia dos 180 anos do Grito de Independência do Piauí – 2000;
Asas e Sonhos – 2002;
Pré-História de Buriti dos Lopes – 2002;
Poesia dos 140 anos da Nossa Paróquia – 2004;
Fragmentos Históricos Volume I – 2005;
Resumo do 4º Volume “A Mística do Parentesco” Edgardo Pires Ferreira – 2008;
Discurso da Fundação do Instituto Histórico IHAL – 2008;
Cordel do Rompimento da Barragem dos Algodões – 2009;
Lenda da Pedra do Peral – 2011
Lenda da Pedra do Letreiro a Gruta de São Cosme – 2011
A Lenda de Luana – 2011
Hino da Academia Buritiense de Artes Ciências e Cultura – ABACC – 2012;
Lenda da Palmeira Buriti – O Símbolo de Nossa Terra – 2012
Memórias de Minha Terra – 2014.
Buriti dos Lopes Porta Sagrada dos Laivos Heróis – 2017

Di Carvalhe

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Na margem maranhense do Rio Parnaíba, em frente à Barra do Longá, linha divisória do Maranhão com Piauí. Ano 1963, na localidade São Paulo, em 30 de janeiro, nasceu o artista Raimundo Nonato Carvalho Silva, conhecido comumente por “Mundinho”. Posteriormente adotou o nome artístico Di Carvalhe.  No município de Araióses no estado do Maranhão, morou até seus 15 anos, onde por motivo de necessidade de adquirir mais estudos, muda-se com toda sua família para a outra margem do rio, cidade vizinha de Buriti dos Lopes. Atualmente é naturalizado piauiense.

O artista Raimundo Nonato Carvalho Silva já aos 8 anos de idade mostrou sua visão artística montando a miniatura de um Petromax (lampião a querosene) com tampinhas de garrafa.  A impressionar assim, familiares e vizinhos com sua desenvoltura e aptidão artística.

Assim como todo brasileiro, desde pequeno, por iniciativa própria começou a gostar de música e de esportes, confeccionava violões de latinha de doce com talos de carnaúba, bolinhas de saco ou bolinhas de meia, ainda muito jovem já demonstrava aspecto de liderança entre os irmãos e primos. Na sua juventude aprendeu com o seu pai a trabalhar com argila na fabricação de telhas e tijolos, descobriu que poderia então fazer com a argila outras modelagens, além de telha, tijolo e, uma das primeiras peças de modelagem criadas por ele foi o protótipo de uma guitarra. A obra que abriu-lhe o caminho para o mundo artístico, a qual ele presenteou um primo seminarista, este que lhe deu o nome artístico de “Di Carvalhe”.

Durante algum tempo, criou peças de utensílios de casa, cozinha e brinquedos. Depois do trabalho com argila, Di Carvalhe começou a talhar e esculpir em madeira, fez vários trabalhos em talha e brinquedos. Certo tempo depois, por conta de uma vida em situação de risco social, observando um artista escultor profissional trabalhando na reconstrução do altar da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, começou a trabalhar com massa de cimento devido o baixo custo da matéria prima e matérias recicláveis, fazendo os trabalhos que já sabia fazer e acrescentando, por orientação daquele artista profissional, placas, molduras e painéis de tamanho grande em paredes.

Sua obra não segue um estilo pré-determinado, suas criações surgem de esboços toscos e sua obra é de total espontaneidade de modo que, Di Carvalhe, desenvolveu uma arte própria. Nem sempre é geométrico ou se guia em simetria, seus cálculos geram imagens e desenhos naturais, desenvolvendo um traço diferenciado, onde a caricatura toma forma própria de sua imaginação e a forma das coisas e dos seres confundem-se com o imaginário popular.

Tem como amostra de seus trabalhos sua própria casa. Todos que ali passam tornam-se admirados com tantas obras de arte a céu aberto. Suas principais obras são esculturas e painéis. Suas esculturas representam seu imaginário naturalista, são seres imaginários, objetos abstratos, animais, rostos, corpos e objetos com alguma funcionalidade e utilidade. Os painéis mostram imagens religiosas e passagens bíblicas, memórias de paisagens do Brejo de Buriti dos Lopes e de lembranças, mas também produz modelagens, talhas, molduras, objetos de decoração e ornamentação, miniaturas, réplicas de instrumentos musicais, móveis externos de ergonomia espontânea, pisos, intervenções paisagísticas e arquitetônicas.

Há um riacho pedregoso não perene que corre ao lado de sua casa que faz parte da propriedade e que também foi transformado em uma obra, um exemplo de Arquitetura Ambiental, demonstrando respeito ao meio ambiente ele procura evitar a degradação do riacho, adequando as suas obras e a própria casa aos elementos naturais dispostos pelos recursos existentes otimizando o espaço de modo que tanto a casa quanto o riacho trabalham juntos gerando uma relação mútua de benefício para ambos, no riacho há um pequeno cais, obras de arte em meio a plantas ornamentais, até um pequeno dique onde são criados peixes nativos e quando do período de seca, o riacho seca completamente, os peixes são despescados e viram alimento. Desta forma a casa de Di Carvalhe se funde em exemplo de Arquitetura Ambiental e Espontânea ao mesmo tempo em um só lugar, produzindo uma imensidão de formas, cores e texturas visuais de forma a proporcionar a percepção da natureza na qual haja total interação entre a área construída e o meio ambiente natural.  Todos que ali visitam chamam de museu a céu aberto. A casa de Di Carvalhe é conhecida por toda a comunidade de Buriti dos Lopes e foi intitulada de a Arquitetura Espontânea de Buriti dos Lopes. É também um local de encontro de artistas, músicos, pintores, professores, estudiosos da cultura da cidade em geral.

Quando tinha 20 nos de idade, Di Carvalhe começou a aprender tocar violão e também a praticar esportes, futebol e maratona. Trabalhou neste período com mais dedicação ao esporte e tornou-se maratonista. Por duas décadas participou de competições de nível municipal e estadual conquistando vários troféus e medalhas. Duas corridas marcaram sua vida de atleta. Para comemorar seu aniversário de 33 anos, fez uma corrida desafio de 40 km, do centro de Parnaíba-PI a Buriti dos Lopes-PI; a segunda foi uma meia-maratona ocorrida no Litoral piauiense. Sendo o percurso da beira do Rio Igaraçu, Parnaíba-PI à Praia do Caqueiro da Praia-PI.

Como músico, após aprender violão, aprendeu um pouco de outros instrumentos, inclusive teclado. Participou da primeira formação de um dos principais conjuntos musicais da cidade, Banda Gênesis. Depois, por muito tempo, foi tecladista voluntário da Paróquia Nossa Senhora dos Remédios de Buriti dos Lopes-PI no ministério de música tocando em missas e eventos da Igreja, na cidade e nos interiores próximos. Desta época também começou a ensinar o que sabia de violão e teclado a jovens da igreja e de outras comunidades sendo hoje o formador de vários músicos conhecidos na cidade e regiões. Hoje, também, trabalha como animador de festejos nas comunidades e nas horas vagas faz voz e violão nos barzinhos.

Neste período também começou a compor chegando atualmente em cerca de cem composições tendo gravados algumas das mais conhecidas músicas populares buritienses e regravado por inúmeros intérpretes da cidade. Como compositor, Di Carvalhe fez temas para Campanha da Pastoral Familiar do Piauí, Compôs a trilha sonora para um grupo cultural junino, a Quadrilha Mandacaru Carvalho, um disco de músicas católicas e três discos de Música Popular Piauiense. É considerado um dos maiores compositores da história da cidade devido a grande quantidade de músicas compostas e sucessos regravados.

Raimundo Nonato Carvalho Silva, Di Carvalhe, é um poeta nato, sempre gostou d escrever frases, máximas, pensamentos, poesias, letras de músicas. Reconhecido como um grande compositor local, tem no seu repertório, várias músicas inéditas de repertório sacro e seculares. De todas as suas composições duas foram destaques, “Devolver a chave do meu coração” e “Defender a vida é missão de todos nós”. O seu grande envolvimento com o mundo artístico lhe fez assim uma grande referência na sua cidade e localidades vizinhas e tornou um grande incentivo para a juventude o qual muitos já aprenderam com ele, destaque para Elder Fagner, músico de estúdio e produtor musical e Neto Cardoso, atual músico do ministério de música da Paróquia. Fundou a Escola de Música Cantando Para Jesus, onde atende alunos sem restrição de idade, sexo ou situação social.

Di Carvalhe, é membro da Academia Buritiense de Artes Ciência e Cultura – ABACC Arnaldo Escórcio Atahyde, já realizou duas exposições arte independentes, uma destas em colaboração com o artista “erasmudoporto” intitulada I Sarau Artístico Di Carvalhe/erasmudoporto, ministrou dois cursos de escultura e modelagem para a ABACC e novamente com “erasmudoporto” está planejando o II Sarau Artístico Di Carvalhe/erasmudoporto para o fim de 2017. Apesar de seu grande esforço, lamentar a falta de apoio do poder público municipal, contudo, mesmo sem apoio, tão necessário ao artista, sempre colabora com as atividades de pesquisas escolares, exposições escolares, feiras culturais e eventos do próprio município. O artista tem como projeto futuro, transformar sua Casa-Obra em um museu ao céu aberto da cidade de Buriti dos Lopes, onde crianças, jovens, estudantes, pesquisadores e comunidade em geral possa visitar e passar momentos de contato com a arte… consolidando assim sua obra como um patrimônio da cidade.

Mestre Pipira – Bumba meu Boi

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