PROJETOS EPA/GEPAR

O patrimônio cultural brasileiro tem recebido nos últimos anos, através da tutela
jurídica, um número expressivo de direitos para sua preservação e gestão. Apesar disso, temos ciência que a proteção de tal patrimônio não é apenas domínio
exclusivo do direito.

Nesta perspectiva, o Projeto EPA desenvolve a sensibilização do
indivíduo a partir da socialização do conhecimento do patrimônio cultural, pautando-
se pela formação em relação ao direito que o mesmo tem à memória individual e
coletiva e buscando desenvolver uma reflexão crítica frente à suma importância da
cultura material e imaterial na conjuntura histórica, pré-histórica, social e no
fortalecimento das identidades.

Acreditamos que, através do impacto da aprendizagem com ênfase no
patrimônio cultural, e utilização dos conhecimentos adquiridos, possamos contribuir
para o desenvolvimento cognitivo do indivíduo, e consequentemente, ampliação das suas competências. Desta forma, conseguiremos ter respostas inéditas, criativas, e eficazes para novos desafios em relação ao patrimônio cultural.

Nossas ações

Aqui você encontra também relatos do nosso histórico de ações e projetos. Para mais detalhes sobre cada uma das cidades, visite as páginas diretamente nos links:

Buriti dos Lopes

Pedro II

Projetos

Primeiro semestre de 2018 

  1. Desenvolvemos ações educativas: reformulamos e formamos hipótese metodológica.

EPA II – I Jornada de Educação Patrimonial e ACADEMIA BURITIENSE DE ARTES, CIÊNCIA E CULTURA– ABACC – Arnaldo Escórcio Athayde– Buriti dos Lopes-PI.

Para desenvolvimento deste projeto foram realizadas diversas reuniões e encontros a partir de setembro de 2017.

  • Plano de organização dos eventos que foram realizados em Buriti dos Lopes 

            1.1.1 Comissão de Organização:

            Coordenação Geral – Profa. Ma. Elaine Ignacio

            Coordenadores de área: Prof. Francisco Gildazio da Silva. Prof. Marcio Erasmo           Falcão, Prof. Me. Mauro Junior Rodrigues Sousa, Prof. Francisco dos Santos            Carvalho Junior e Prof. Henrique da Silva Soares.

Colaboradores: Prof. Max Ronny do Nascimento Marques (Parnaíba), Wellison José dos Santos (Buriti dos Lopes), Jordan Silva Dourado (Buriti dos Lopes), José Redimiro de Carvalho Júnior, Nunci Moreira de Sousa Val, Elemar Luciano Pereira Bilha (Fazenda dos Tinguis), Rodolfo de Sousa Pereira (Piripiri), Thalia dos Santos Fialho (Cajueiro da Praia). 

1.1.2 Reunião para confecção do Plano de Atividades EPA/ABACC (23 de março)

Local: Casa do Henrique da Silva Soares.

Participantes: Profa. Ma. Elaine Ignacio (videoconferência), Prof. Me. Mauro Junior Rodrigues Sousa, Prof. Max Ronny do Nascimento Marques, Prof. Henrique da Silva Soares, Prof. Marcio Erasmo Falcão e Alda Letícia.

  1. Temas discutidos e número de pessoas que pretendíamos impactar:
  • CURSO DE DESIGN (CAFEZEIRAS): 20 pessoas.
  • CAPACITAÇÃO DOS PROFESSORES: 40 professores.
  • I JORNADA EPA II: 80 pessoas (60 ouvintes + 20 comunicações).
  1. Total de pessoas impactadas diretamente com as ações executadas pelo projeto EPA:

Das 140 pessoas que pretendíamos serem impactadas conseguimos 123 pessoas impactadas diretamente com as ações do EPA II. Estas ações gerarão benefícios ainda maiores para toda a comunidade de Buriti dos Lopes, haja vista que trabalham com um público-alvo composto de professores, alunos, pesquisadores, as Cafezeiras e populares interessados, de modo que os membros destes grupos passam a serem protagonistas sociais por conta das formações adquiridas e serão disseminadores de opinião em suas comunidades.

  1. Plano de atividades: Educação Patrimonial em Buriti dos Lopes 

            1.2 Planejamento e plano de Atividades executado no 1º semestre de 2018      pelo Projeto EPA / ABACC

Local – Buriti dos Lopes

Data: 20 a 29 de abril de 2018

1.2.1 Planejamento

  • Construímos o edital de seleção das comunicações;
  • Confeccionamos o cartaz de divulgação do evento e os certificados;
  • Confeccionamos os convites para as Cafezeiras, motivando-as a participar do projeto;
  • Confeccionamos os modelos de “xícaras” e “pires” feitos em argila com ornamentação de signos rupestres;
  • Foi executada uma reunião com o Secretário de Educação : Apresentamos o projeto EPA;
  • Confirmamos a participação dos Professores de História, Geografia, Artes e Pedagogia no curso de capacitação;
  • Conseguimos o translado para a Fazenda dos Tinguis (dois ônibus);
  • Obtivemos o patrocínio de lanches, divulgação e infraestrutura para realização das ações (verificar a questão de limpeza dos banheiros nos dias dos eventos, colocação de água, etc.).
  • Confirmamos a presença na Assembleia Pública. O tema foi: Proposta de adição da disciplina Educação Patrimonial nas escolas de Ensino Fundamental do município e hoje de acordo com a ;
  • Arrecadamos materiais para a Oficina de Design, como também para as outras oficinas de capacitação dos professores e das jornadas;
  • Organizamos todo o material midiático que foi utilizado. Fizemos um cronograma com a utilização de todo este material. 

1.2.2 Atividades desenvolvidas pelo EPA durante a primeira semana de educação patrimonial de Buriti dos Lopes (Anexo I – Publicação referente a semana)

20 de abril 

Às 19 horas a Equipe de Organização EPA se reuniu

Revisamos o Plano de Atividades e observamos se todos os pontos listados estavam organizados e bem distribuídos.

21 de abril

Fizemos o levantamento imagético com as Cafezeiras.

Objetivo:

Documentamos através de filmagem e fotografia o cotidiano das Cafezeiras desde a preparação do material em casa até o trabalho nas barracas localizadas na Praça da Matriz, evocando assim o cotidiano vivido e as lembranças sentidas através da construção da imagem.

Metodologia:

Filmamos e fotografamos o cotidiano das Cafezeiras para construção de um documentário. Fizemos tomadas/fotos com ênfase nos pontos fortes e fracos. Observamos de forma geral o entorno e de forma específica as barracas, ressaltando o estado de conservação, as condições de saneamento, o fluxo de fregueses e sua procedência, entre outras questões.

Meta Atingida:

A imagética articulada com a expressão verbal nos forneceu uma riqueza de informações, e nos possibilitou observar profundamente o importante papel das Cafezeiras na cidade e também na região.

Roteiro:

Iníciou (4 horas da manhã)

Acompanhamos a rotina da Cafezeira Elza Maria Gomes Moura, e simultaneamente na praça, o trabalho nas barracas.

EQUIPE 1: Casa da dona Elsa (roteiro em anexo)

EQUIPE 2: Na praça, com a presença e ausência das Cafezeiras.

22 de abril

Curso de design

O patrimônio sendo utilizado como ferramenta de ressignificação do espaço.

Público-alvo: ABACC, Cafezeiras, participantes da organização da ressignificação do espaço das Cafezeiras EPA II e demais interessados.

Número de participantes impactados: 14

Objetivo:

Capacitamos através da linguagem do design e da arquitetura, os integrantes da oficina para ressignificação das barracas das Cafezeiras, localizadas no espaço da Praça da Matriz.

Metodologia:

Embasamento teórico e troca de vivências práticas, respeitando as habilidades e aptidões específicas de cada um.

Meta:

Através do curso ministrado e citado acima, pretende-se criar um espaço ressignificado e lúdico, onde a pintura e a remodelação dos objetos criem configurações novas e dinâmicas. Como exemplo de criação de novos objetos que sejam úteis e belos pode-se citar as prateleiras, que além de servirem para organização dos objetos também servirão como expositoras de obras de arte da região. Da mesma forma, a execução de peças modeladas em argila com as gravuras rupestres, que além de serem utensílios utilizados no dia a dia das Cafezeiras, servirão como objetos guardadores de memória. Assim, o patrimônio material arqueológico regional será valorizado e conhecido em um ambiente revestido da força do patrimônio imaterial das Cafezeiras. Estes são apenas exemplos que começaram a ser executados e que demonstram o muito pode ser feito neste espaço de convivência urbana. Todo este processo de ressignificação foi debatido sistematicamente com os integrantes da oficina e as Cafezeiras, e ainda está em processo de construção.

23 e 24 de abril

Capacitação dos Professores

Tema desenvolvido: Patrimônio material e imaterial de Buriti dos Lopes: Como trabalhar em sala de aula.

Público-alvo:

Professores municipais de História, Geografia, Artes e Pedagogia.

Número de professores impactados: 29

Carga horária: 40 horas (20 horas curso presencial, 20 horas EAD)

Objetivos:

  1. Desenvolvemos com os professores uma reflexão crítica frente à suma importância da cultura material e imaterial na conjuntura histórica, social e no fortalecimento das identidades regionais no estado;
  2. Proporcionamos uma construção formativa junto aos professores do nível fundamental para que possam ser multiplicadores em Educação Patrimonial nos espaços educativos formais.

 

Programa Executado na Capacitação dos Professores

23 de abril

Das 8 h às 09h30min

Credenciamento

Das 10h às 11h30min

PROJETO EPA: A educação e o direito à memória.

Profa. Ma. Elaine Ignacio

Resumo                          

O patrimônio cultural brasileiro tem recebido nos últimos anos através da tutela jurídica um número expressivo de direitos para preservação e gestão do patrimônio cultural, mas temos ciência que a proteção de tal patrimônio não é apenas domínio exclusivo do direito. Nesta perspectiva, o Projeto EPA desenvolve a sensibilização do indivíduo a partir da Educação Patrimonial, pautando-se pela formação em relação ao direito que o mesmo tem à memória individual e coletiva e buscando desenvolver uma reflexão crítica frente à suma importância da cultura material e imaterial na conjuntura histórica, pré-histórica, social e no fortalecimento das identidades. Desta forma, o EPA atua construindo conhecimentos para valorização e proteção do patrimônio cultural, já que entende que quando os indivíduos identificam-se culturalmente e conseguem desenvolver uma relação simbiótica com o patrimônio, desenvolvem a noção de pertencimento e a consequente atitude de preservação.

Das 14h às 17h

Sítios arqueológicos com vestígios de arte rupestre de Buriti dos Lopes.

Prof. Henrique da Silva Soares (ricksores.spfc@gmail.com)

Ementa: Conhecer os procedimentos para preservação e conservação dos sítios arqueológicos de registros rupestres; apresentar os sítios arqueológicos: Lajedo das Branquinhas, Ponte do Pirangi e Pedra do Letreiro e suas características junto às fichas de cadastro nacional de sítios arqueológicos do IPHAN; entender os benefícios da conservação dos sítios arqueológicos para o município como meio educador de transmissão do passado e potencial turístico.

Metodologia: Embasamento teórico e exposição de imagens e vídeos; uso da ficha de cadastro nacional de sítios arqueológicos do IPHAN; uso de mapas digitais do CPRM: mapa geológico do Piauí, mapa da geodiversidade do Piauí e mapa dos pontos de água do Piauí; sensibilização com imagens de painéis de pinturas rupestres.

Equipamentos e materiais necessários:

Datashow, notebook, papel.

24 de abril

Das 9h às 12h

A reprodução dos registros rupestres e outros registros como recurso pedagógico na educação patrimonial em sala de aula.

Prof. Me. Mauro Junior Rodrigues Sousa (jrvoivod@gmail.com)

Ementa:

Conhecer formas de lidar com a informação sobre o patrimônio arqueológico de modo que possa reproduzir materiais, desenvolver subsídios e avançar na práxis educativa sobre o patrimônio de Buriti dos Lopes. Seguem os passos para aplicação da atividade: explanação sobre a importância do patrimônio, confecção de carimbos com relevo apresentando motivos rupestres dos sítios Lajedo das Branquinhas, petróglifos do Rio Pirangi – Trecho da Ponte/Rodovia e Pedra do Letreiro e reprodução e imitação de artefatos líticos em materiais leves.

Metodologia:

Exposição de slides e trechos de vídeos; sensibilização com imagens de painéis de pinturas rupestres; confecção de carimbos e imitação de artefatos.

Equipamentos e materiais necessários:

Datashow, notebook, lápis, borrachas, canetas, papel A4, papelão, papel pardo, papel madeira, estêncil, elástico super-amarelo (ligas para amarrar maços de cédulas), tesouras sem pontas, cola e tinta guache.

Das 14h às 17h

Paisagens buritienses – interlocuções entre memória e meio ambiente na educação escolar.

Prof.  Francisco dos Santos Carvalho Junior

Ementa: O propósito deste curso é estimular o senso crítico e a sensibilidade dos envolvidos direta e indiretamente no que diz respeito às paisagens de Buriti dos Lopes e dos demais municípios da região norte do estado do Piauí. A proposta atende a crítica contemporânea das Ciências Humanas que aborda cada vez mais o papel dos educadores na desconstrução das grandes narrativas históricas e na produção reflexiva acerca do universo valorativo, representativo e carregado de significados que abrangem o contexto e a realidade social local. Dessa forma, entendemos a necessidade de debater simetricamente como a escola e outros espaços de socialização do conhecimento podem contribuir para reordenar contextualmente os diversos saberes e percepções locais introduzindo no universo escolar outras formas de compreensão do mundo e colaborando assim para a formação crítica de cidadãos conscientes e sensíveis as causas e os problemas locais.

Metodologia: A metodologia constará de exposições e leituras/discussão; apresentação de imagens ilustrativas do conteúdo através de recursos audiovisuais; debates a partir das pontuações registradas pelos participantes; apresentação de métodos de aplicação dos conteúdos em sala de aula e aplicação de avaliações para aferição de rendimento do encontro.

Equipamentos e materiais necessários:

Datashow, notebook, papel.

18 h

Exibição do filme: “NARRADORES DE JAVÉ”

Sinopse:

Os moradores do Vale do Javé estão em pânico, pois acabaram de saber que sua vila será inundada para dar lugar a um lago artificial. Como ouviram dizer que o único modo de salvar o lugarejo é provar que o local abriga um patrimônio que não pode ser perdido, decidem escrever os feitos épicos da história de Javé na esperança de que os engenheiros do governo fiquem sensibilizados. Mas a vila só tem analfabetos, então a quem eles poderiam recorrer?

Diretor: Eliane Caffé. Elenco: Gero Camilo e Nelson Xavier. País de origem: Brasil. Ano de produção: 2002

25 de abril

Iniciou-se o mapeamento do sítio histórico da cidade de Buriti dos Lopes. Levantamento do patrimônio material através das fachadas da arquitetura histórica da cidade.

Metodologia:

Foi iniciado o levantamento fotográfico e métrico, o projeto ainda continua.

Equipamentos e Materiais Necessários:

Câmera fotográfica, papel milimetrado e trena.

Das 14h às 18h

Início da criação da confecção de um catálogo sobre o patrimônio material e imaterial de Buriti dos Lopes.

Conteúdo:

Produto do Grupo de Pesquisa de educação patrimonial e arqueologia – GEPAR. Levantamento dos Sítios Pré-históricos, Históricos e Mapa Cultural.

26 de abril

Das 8h às 12h

Início da criação de um livreto de educação patrimonial.

Das 14h às 17h

Foi executada uma reunião sobre a importância da criação de uma portaria junto ao IPHAN para pesquisa arqueológica em Buriti dos Lopes. O resultado desta reunião foi a criação de um grupo para execução do projeto.

Equipe para execução do projeto e criação de uma portaria junto ao IPHAN: Profa. Ma. Elaine Ignácio, Prof. Me. Mauro Junior Rodrigues Sousa, Prof. Francisco dos Santos Carvalho Junior, Prof. Francisco Gildazio da Silva, Prof. Marcio Erasmo Falcão e outros interessados.

27 de abril

Assembleia Pública

Objetivo:

Discutimos a importância da inserção da Educação Patrimonial como Disciplina Regular no Ensino Fundamental.

28 e 29 de abril

Programa executado na I JORNADA DE EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: Desenvolvimento regional em harmonia com o patrimônio e participação efetiva da comunidade.

28 de abril

Das 8h às 09h30min

Credenciamento

Das 10h às 12h

Conferência de Abertura

Tema: A Educação Patrimonial nos dias de hoje.

Profa. Ma. Elaine Ignacio, Prof. Me. Naudiney Gonçalves, Prof. Esp. Francisco Gildazio da Silva e convidados.

Das 14h às 17h

Comunicação das pesquisas desenvolvidas pelo EPA I Etapa I:

  • Grupo de Prospecção
  • Documentário “Procissão da Barra do Longá”
  • Unidade Escolar Leônidas Melo
  • Educação Patrimonial Rural

Das 19h às 21h

Mesa redonda: Desenvolvimento em harmonia com o patrimônio e participação efetiva com a comunidade.

Mediador: Prof. Francisco dos Santos Carvalho Junior.

Convidados: Representantes da comunidade acadêmica, do setor público e da comunidade civil.

Às 21h

Apresentação do vídeo: O Imaginário do Rosário e a Interpretação de um Patrimônio.

Debate com os presentes

Sensibilização: Seu Raimundo Sanfoneiro

Encerrando o dia com um agradável café.

29 de abril

Das 7h às 12h

Visita à fazenda colonial de Ângelo Lopes – Fazenda Tinguis.

Comunicação: Poeta Neném Calixto.

Das 14h às 17h

OFICINA – Prof. Mauro Júnior Rodrigues de Sousa

OFICINA – Prof. Francisco dos Santos Carvalho Junior.

17h30min – Apresentação artística

18h30min – Encerramento e entrega dos certificados.

  1. II Simpósio de História, Arqueologia e Museus. 

O II Simpósio de História, Arqueologia e Museus é um evento acadêmico que visa aproximar diferentes campos do conhecimento para a formação de professores na área de História, assim como socializar experiências de profissionais que atuam no campo do Patrimônio Cultural e do Turismo. A escolha do tema surgiu da necessidade de problematizar a interdisciplinaridade por meio do diálogo entre a História, a Arqueologia e outras disciplinas no contexto do patrimônio, além de divulgar as pesquisas com temáticas relacionadas ao litoral piauiense e fomentar o debate acerca de espaços museológicos para a exposição de material arqueológico oriundo da região. Observando o relatório acima apresentado (I – Relatório 2017.1 a 2018.1 pg. 03), podemos observar trabalhos apresentados no simpósio, fruto das ações educativas na região. Além da participação da Coordenadora do EPA na Mesa de Discussão 2 – Desafios da Arqueologia no Piauí.

III. Resultados e discussões.

O embrião do projeto de extensão EPA iniciou-se em 2012, em Teresina, capital do Piauí e em Pedro II no interior do estado. Atualmente, já estamos consolidados com parcerias e estratégias de continuidade. O projeto de extensão EPA se transformou em Grupo de Educação Patrimonial e Arqueologia, com pesquisas no norte do Piauí e com integrantes de Pedro II, Piripiri, Parnaíba e Buriti dos Lopes, assim como parceiros, IFPI, em Pedro II; a ABACC, Secretaria de Educação e Assentamento Rural Josué de Castro – Fazenda Tinguis, em Buriti dos Lopes; a UNESPI (curso de história), IFPI através do NEABI, a Secretaria da Cultura, em Piripiri ; a FID, em Parnaíba. Fora do Piauí, há a parceria com a Museu de Itapipoca – CE, com o Grupo de Preservação do Patrimônio de Cantagalo, RJ.

O GEPAR, grupo de pesquisa criado a partir da primeira capacitação em Educação Patrimonial EPA de Buriti dos Lopes, no segundo semestre de 2017, com o intuito de que a sociedade conheça melhor seu patrimônio, vem atuando ativamente nas pesquisas da região norte do Piauí em duas frentes principais: futuramente na prospecção arqueológica que terá como resultado a criação de um catálogo, já em execução e no levantamento do patrimônio histórico, tanto da cidade, como da zona rural, mais especificamente no Assentamento Rural Josué de Castro – Fazenda Tinguis, um dos locais onde aconteceu importante fato histórico “as balaiadas”[1]. Assim, o GEPAR busca desenvolver uma arqueologia comunitária[2].

Na fazenda citada acima já efetuamos duas visitas, a primeira no dia 29 de abril de 2018 para reconhecimento do local, e outra, no dia 18 de junho de 2018 em caráter de pesquisa de campo. Na última data mencionada, a equipe formada pelos integrantes e parceiros do GEPAR (arqueóloga coordenadora Elaine Ignacio, arqueólogo Mauro Júnior Rodrigues de Sousa, pesquisador Marcio Erasmo Falcão, Rômulo Fonteneles, poeta/historiador Francisco Carvalho Nunes – poeta Neném Calixto), com a participação e acompanhamento de alguns integrantes da comunidade do Assentamento Rural Josué de Castro, Elenar Luciano Pereira Bilha – (coordenador do MST de Buriti dos Lopes), Maria Aldenir de Paula Rocha (tesoureira da associação, secretária do conselho da escola, coordenadora e líder comunitária da igreja católica) e alunos da Unidade Escolar Pedro Mariano de Freitas, realizaram algumas atividades, tais como: entrevista com os moradores locais, dos mais recentes aos mais antigos, e prospecção arqueológica.

A pesquisa de campo faz parte do projeto de Educação Patrimonial para que Buriti dos Lopes possa conhecer e melhor divulgar seu patrimônio cultural, seja nas escolas ou junto à comunidade. Os objetivos desta pesquisa em andamento são entender os costumes e lendas através de relatos da história oral; compreender a história local através da pesquisas bibliográficas e materiais e procurar indícios que possam fundamentar uma portaria de escavação arqueológica histórica nos locais indicados pelos moradores mais antigos, onde possam ter sido as primeiras edificações da comunidade. Tornando-se assim possível provar materialmente a ocorrência do episódio das balaiadas, citado no livro História do Piauí  de

Kenerd Kruel[3], assim como de outros eventos, para posteriormente reconstruir a paisagem cultural local através do tempo.

Um ponto importante de toda a pesquisa é a constante interação com a comunidade local, através da socialização. Em nossa última visita tivemos, por exemplo, alguns momentos de ações patrimoniais, tais como: aula em campo sobre artefatos arqueológicos, vivências com antigas brincadeiras, além da confraternização em um almoço com a comunidade acompanhado da boa música popular brasileira tocada e cantada por Marcos Paulo Rocha, um artesão local.

Além das ações da pesquisa conseguimos também, junto à Secretaria de Educação Municipal, integrar a disciplina de Educação Patrimonial na sua base curricular (esta integração está sendo discutida nos meses de junho e julho de 2018). Sabemos que a base nacional orienta a base estadual, e por fim, esta orienta a municipal. O município, por sua vez, adota o que o estado toma como disciplina obrigatória, mas também tem a opção de incluir disciplinas diversificadas. Com a participação do secretário de cultura nos eventos do EPA, o mesmo observou o quanto seria imprescindível a inclusão da disciplina de Educação Patrimonial para o município, devido a importância da preservação da cultura material e imaterial e do fortalecimento das identidades regionais no estado. Sendo assim, a partir da nova base curricular de Buriti dos Lopes, a disciplina Educação Patrimonial passa a ser uma disciplina diversificada oferecida no município.

Os questionários que buscam levantar a abrangência do conhecimento sobre patrimônio cultural já foram reformulados em uma primeira fase de aplicação e serão utilizados para diagnóstico junto aos alunos e também para os professores, e assim, poder capacitá-los de uma maneira mais efetiva e sistemática.

A partir dos eventos executados no primeiro semestre de 2018 fomos convidados para realizar em agosto a Jornada de Educação Patrimonial na cidade de Itapipoca-CE, e em outubro, na cidade de Piripiri – PI, além de continuarmos com as pesquisas que já vem sendo executadas sistematicamente, como já foi dito anteriormente, desde 2012.

Bibliografia utilizada nas citações

MARSHALL, Y. What is Community Archaeology? World Archaeology, 2002, págs. 211-219.

SANTOS, G; KRUEL, K. História do Piauí. Zodíaco, 2009. Pág. 97

 

[1] Balaiada é no nome pelo qual ficou conhecida a importante revolta que se deu no Maranhão do século XIX. É mais um capítulo das convulsões sociais e políticas que atingiram o Brasil no turbulento momento entre a independência do Brasil e a proclamação da República.

[2] Arqueologia comunitária significa envolver a população local nas pesquisas arqueológicas e nas políticas de representação do patrimônio cultural (Marshall 2002: 211).

[3] ¨No dia 31 de janeiro de 1839 a Balaiada tem início no Piauí. Neste ano, os rebeldes matam, na sua Fazenda Tinguis, em Buriti dos Lopes, Ângelo António Lopes, de 90 anos, quando trabalhava numa farinhada. Para coibir novos ataques, o Capitão Mariano Castelo Branco fica comandando uma força no município até final da revolta. Embora fatos como este tenham sido usados para justificar a repressão ao movimento, a verdade é que, a todo custo, os governantes tentavam mascarar a absurda concentração de terras nas mãos de poucos privilegiados, o Recrutamento compulsório e a dominação absoluta de poucas pessoas sobre política da província¨ (SANTOS & KRUEL, 2009: 97).

A Importância da educação patrimonial na aquisição de conhecimento arqueológico pela sociedade.

As ações de educação para socialização do conhecimento do patrimônio histórico cultural são essenciais para o conhecimento do trabalho da Arqueologia e, consequente, reconhecimento da identidade cultural dos povos; e, mesmo, no despertar de interesse dos sujeitos cognoscentes frente à ciência de uma maneira geral. Portanto, sendo uma importante ferramenta do trabalho da Arqueologia junto a sociedade, através do ensino formal e não formal, torna-se necessário ações continuadas.

Bezerra (2008, pp.57-62) aponta que a inclusão da arqueologia em projetos educacionais nos ambientes escolares se apresenta favorável por uma gama de fatores que vão desde a sua natureza interdisciplinar à fascinação que exerce sobre as crianças e sua forma de investigação, servindo como um veículo para o aprendizado das várias disciplinas do currículo escolar, assumindo um caráter transversal.

BEZERRA, Marcia. Arqueologia e educação. In: BARRETO, Euder Arrais et. al. Patrimônio
Cultural e Educação: artigos e resultados. Goiânia: Universidade Federal do Goiás, 2008.

[…] Eu tinha vontade de fazer como os dois homens que vi sentados na terra
escovando osso. No começo achei que aqueles homens não batiam bem. Porque
ficavam sentados na terra o dia inteiro escovando osso. Depois aprendi que aqueles
homens eram arqueólogos. E que eles faziam o serviço de escovar osso por amor. E
que eles queriam encontrar nos ossos vestígios de antigas civilizações que estariam
enterrados por séculos naquele chão. Logo pensei de escovar palavras. Porque eu
havia lido em algum lugar que as palavras eram conchas de clamores antigos. Eu
queria ir atrás dos clamores antigos que estariam guardados dentro das palavras. Eu
já sabia também que as palavras possuem no corpo muitas oralidades remontadas e
muitas significâncias remontadas. Eu queria então escovar as palavras para escutar o
primeiro esgar de cada uma. Para escutar os primeiros sons, mesmo que ainda
bígrafos. Comecei a fazer isso sentado em minha escrivaninha. Passava horas
inteiras, dias inteiros fechado no quarto, trancado, a escovar palavras. Logo a turma
perguntou: o que eu fazia o dia inteiro trancado naquele quarto? Eu respondi a eles,
meio entresonhado, que eu estava escovando palavras. Eles acharam que eu não
batia bem. Então eu joguei a escova fora.

(ODE AOS ARQUÓLOGOS, In: BESSEGATO, 2005, p.05).

BESSEGATO, Maurí Luiz. Por aí e aqui: o patrimônio no cenário educativo. Coordenador Saul
Eduardo S. Milder. Santa Maria: UFSM/LEPA, 2005.